A Cultura de Bar no Brasil: 3 histórias que você tem que conhecer

Os bares são alguns dos locais de encontro mais queridos do país. Ali, as almas solitárias — ou as acompanhadas — buscam, entre goles e petiscos, a cura, a celebração ou simplesmente a distração. Pelo mundo, poetas, artistas e músicos tiveram, nos botequins, seu reduto de inspiração. Bukowski, escritor que tornou-se símbolo da boêmia mundial, encontrava nos bares os momentos de celebração da amargura ou do tédio. Mas foi aqui no Brasil onde os botecos viraram sinônimos de arte, onde a cultura local se confunde é capaz de se confundir com a cultura dos bares.

A cultura de bar revela traços regionais, colocando em suas mesas petiscos, cervejas e músicas de determinadas localidades, sempre com aquele jeitinho descontraído e propício para novos acontecimentos. Veja, a seguir, algumas histórias de bar que farão com que você se apaixone ainda mais pelo ambiente!

A música mais regravada do Brasil

Sim, ela foi composta em um boteco. Não é novidade para ninguém que o poetinha Vinícius de Morais era uma figura carimbada da boemia carioca, considerado um ímã de clientes, no tradicional Bar do Veloso. Foi ali, em 1962, que Vinícius e seu parceiro om Jobim, inspirados pelo balanço de Heloísa Pinheiro, compuseram “Garota de Ipanema”. Lançada no ano seguinte, a canção ganhou o mundo e versões em diversas línguas.

O bar ganhou o nome da música e a rua, o nome do poeta. Até tempos atuais os herdeiros de Vinícius e Tom são procurados para que a inserção da canção em peças publicitárias (Nike, Calvin Kein, dentre outros), filmes (nacionais e internacionais) e em séries mundialmente aclamadas, como foi o caso de Mad Men.

A dor de cotovelo

Anteriormente, dissemos que Bukowski encontrava, no bar, o reduto de suas lamentações. Quer dizer, beber para esquecer a dor de um amor perdido é uma prática muito comum também nos bares do Brasil. Lupicínio Rodrigues, importante sambista e compositor gaúcho, era um especialista em matéria de sofrimento amoroso. Além do hino do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, ele compôs hinos da boemia, tal qual “Nervos de Aço” e “Esses moços, pobres moços”.

Corre nos bares por aí, que o criador da famosa expressão “dor de cotovelo” teria sido o próprio Lupe. Ele se referia ao fato dos apaixonados frustrados estarem constantemente com os cotovelos apoiados nos balcões e mesas, tomando doses e mais doses duplas de uísque e que, por isso, seus cotovelos começavam a doer. Fato é que “Dor de Cotovelo” virou o título do disco que ele lançou em 1973.

O Clube da Esquina

Advinha o que havia nessa famosa esquina de Minas Gerais? Sim, um boteco. Em Belo Horizonte é comum dizer que há um boteco por esquina e essa afirmação não é tão exagerada assim. Nos anos sessenta, na esquina entre a rua Divinópolis e Paraisópolis, no Bairro Santa Tereza, um local clássico da boemia belo-horizontina, entre bebidas e tira-gostos, Milton Nascimento, os irmãos Borges, Fernando Brant e outros músicos mineiros gestavam o som que ganharia o Brasil todo na década seguinte.

Nasceu, então, na mesa de um bar, o Clube da Esquina, trazendo influências do jazz, do rock, das inovações da Bossa Nova e da música folclórica mineira. Eis mais um belo fruto da música brasileira que nasce a partir da cultura de bar.

Depois dessas histórias musicais sobre os bares do Brasil, dá pra imaginar um ambiente mais inspirador que o boteco? Assine a nossa newsletter e fique por dentro de muitas outras curiosidades e dicas sobre a cultura de bar!

 

Skateboarder, foodie, audiophile, Saul Bass fan and AIGA member. Acting at the junction of art and mathematics to craft experiences that go beyond design. My opinions belong to nobody but myself.

Post Author: Redação

Skateboarder, foodie, audiophile, Saul Bass fan and AIGA member. Acting at the junction of art and mathematics to craft experiences that go beyond design. My opinions belong to nobody but myself.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *